Me deixe entrar, me deixe ler
Dizem que quando a pupila se expande é porque há interesse espiritual, para além do físico e conhecido. E lá estávamos. Nós dois, frente a frente. Mais uma clássica história de encontros inimagináveis acontecendo. Tentava disfarçar o interesse olhando para os lados. A cada vez em que você agia da mesma forma, eu descansava a mão no pescoço, ao tentar suavizar a própria combustão da pele, que respondia a qualquer estímulo espontâneo entre nós. Um toque. Trocávamos, nos tocávamos. Era inútil. Tudo àquilo era inútil. Por quanto tempo mais nos enganaríamos daquela forma?
Eu queria mais. Quero mais. Fui além, li você. Não esperava encontrar um único verso seu ou qualquer palavra direcionada a mim. No entanto, gostaria de qualquer indício banal de que os nossos olhares trocados e o sutil movimento de acariciar as mãos não foram em vão. Lia suas palavras e devorava você. Nos despedimos porque a rotina nos obrigava a partir, mas queríamos ficar ali, juntos. Queríamos mais.
Madrugada. Meu desejo era de sair do meu quarto, caminhar e bater na sua porta. Não me importaria em ser recebido com a cara amassada de sono e com poucas roupas, nem que os cachorros acordassem todo mundo do seu prédio, por causa do barulho que faria para te acordar. Quem se importa com o que vão pensar? Minha única preocupação é de como posso continuar a sentir o que iniciamos.

Na manhã seguinte, acreditar que nada foi um sonho, que não fora mais uma noite banal. Quero mais desse sentimento, ler mais você. Quero ser necessário como os seus óculos que compõem o rosto. Quero ser a lembrança, o riso espontâneo de quando a notificação chega na tela do seu celular a qualquer hora do dia. Quero ser qualquer coisa, menos uma página que pode ser descartada, caso alguma imperfeição nos próprios versos que experimento surja, à medida em que nos envolvemos.

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